segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ensinos Espiritualistas – Sayonara(QUARAÍ-RS) – Mediunicamente

07/05/2012 - Segunda-ferira,



Recebidos por
William Stainton Moses

Seção VI
(Nessa época, encontrando o Sr. Home, por acaso, no Derby, declarou-me ele mediunicamente que era impossível aos Espíritos fazerem qualquer coisa nas condições incômodas em que se achava. No dia seguinte (29 de maio), tendo eu uma conversa a esse respeito, obtive o seguinte ditado:)
Essa espécie de festas, como lhes chamais, causam uma perturbação importante nas condições morais, sendo-nos muito difícil atingir-vos. Quando semelhantes ocasiões lhes são oferecidas, os Espíritos, nossos antagonistas, reúnem-se para agir, com êxito, sobre homens reunidos com o fim de satisfazerem as suas paixões corpóreas. Havia ontem multidões excitadas até ao mais alto grau, umas pela cobiça, outras pela febril esperança do ganho, outras mergulhadas de novo em profundo desespero pela perda de tudo, e outras por bebidas embriagantes. Presas fáceis, elas eram assaltadas por Espíritos que se lhes assemelhavam. Mesmo quando essas baixas paixões não são ativamente excitadas, tais reuniões atraem Espíritos atrasados. Evitai-os. Livrai-vos das disposições mentais imoderadas, irrefletidas, violentas. Nesses dias, os agentes protetores devem fazer grandes esforços para se oporem ao assalto dos não desenvolvidos, levados ao ataque, e para prevenirem o melhor possível a queda das almas tentadas.
Mas o que dizeis aplica-se a todas as festas nacionais?
Não, necessariamente. A festa que produz o alívio do corpo e do espírito não se parece com essas orgias. Quando as forças físicas, depauperadas por um trabalho enfadonho, se reparam em um repouso agradável e o espírito fatigado é tonificado por um divertimento moderado, este desafoga-se e esquece momentaneamente as suas aflições na diversão natural que o fortifica e o estimula; a calma torna-o acessível às benfazejas influências dos celestes guias, cujos poderes são assim fortificados, aniquilando os projetos dos adversários, ainda mesmo poderosos. Deveis penetrar muito mais adiante no conhecimento da direção espiritual e na dos vossos deveres mútuos, para impedir que os vossos regozijos nacionais sejam degradantes para o vosso povo. Uma festa caracte-rizada por disputas e deboches, por jogos e paixões sensuais irritadas, não pode ser um santo dia para nós, mas, ao contrário, um dia de temor, de vigilância e de prece. Deus ajuda e protege as almas cegas em sua insensata demência!
(A nossa sessão foi nesse momento perturbada por manifestações irregulares, falhando uma tentativa feita para obter fotografias de alguns dos Espíritos familiares. Um Espírito que apareceu na chapa fotográfica denominou-se Rector, mas disseram-nos que era falso e que não tivéssemos nenhuma relação com esse ser desconhecido e mentiroso. Experimentei, sem resultado, obter outras informações inteligíveis, e fui obrigado a parar. No dia seguinte, tendo recobrado o meu estado passivo habitual, a escrita veio sem ser solicitada. A propósito das dificuldades que se tinham suscitado na véspera, perguntei se era possível ajudar as manifestações de uma maneira qualquer. A resposta foi esta:)
Rector não pôde comunicar-se convosco por causa do vosso estado de agitação, conseqüente à extrema fadiga que a sessão vos causou. A informação que vos foi dada era completamente falsa. Um Espírito afirmara com veemência que o retrato era o de Rector, que não conhecia bem essa forma de comunicação, para saber que a vossa disposição nervosa, febril, junto a um estado intelectual positivo, obstinado, tornava impossível transmitir-vos qualquer indicação verídica. Quando vos sentirdes assim, não procureis comunicações sobre assunto algum, sob pena de serem inexatas, incompletas e muitas vezes prejudiciais.
(Eu estava muito incomodado e confessei que o meu escasso fundo de fé arriscava-se a ficar dissipado se esses incidentes se renovassem. Isso, porém, nunca aconteceu.)
Nunca estivestes em comunicação sem a minha (Doctor) presença ou a de um outro guia capaz de vos prevenir e preservar; fizestes isso esta vez, quando só os Espíritos que presidem aos elementos físicos estavam presentes, por isso os resultados foram violentos e incapazes de ser governados. Então fostes posto de prevenção: isso é um aviso. Rector não pôde influenciar o vosso espírito positivo e o vosso estado febril não nos permitia governar-vos.
(Desde então comecei a evitar sempre escrupulosamente experimentar a escrita automática quando estava doente e com dores, quando tinha sofrimentos mentais ou estava ansioso, quando perto de pessoas atingidas dos mesmos sofrimentos ou envoltas de influências que pudessem opor obstáculos. Atribuo a essas precauções o caráter regular das minhas comunicações em geral, agora curiosamente correntes, estando sem rasuras os cadernos em que foram escritas e apresentando um tom uniforme.)
Mantende-vos tão passivo e tranqüilo quanto o puderdes e não experimenteis comunicar conosco quando estiverdes excitado pelo trabalho, agitado por aflições ou com o corpo fatigado. Não acrescenteis à sessão novas pessoas, pois estas só podem incomodar e perturbar as condições. Auxiliai para que aperfeiçoemos a nossa experimentação em vez de intervirdes para corrompê-la. Avisar-vos-emos das mudanças desejadas que queremos introduzir em vossa sessão. Não mudeis nada no local em que vos reunirdes e procurai, quanto possível, reunir-vos com o espírito passivo e o corpo são.
Sim. Trabalhar todos os dias corporalmente e intelectualmente não melhora as condições, suponho; mas aos domingos é em geral pior.
O domingo não nos é um dia favorável, porque, se a tensão do corpo e do espírito cessou, a reação deixa o espírito mais inclinado ao repouso do que à ação. Receamos produzir novas manifestações físicas convosco; essas experiências poderiam fazer-vos mal; demais, são de interesse secundário, sinais apenas que testemunham a nossa missão e não desejamos que vos entregueis a elas. Há uma outra razão que nos impede de manifestar-nos por vosso intermédio aos domingos. Ignorais as dificuldades manifestadas pela mudança das condições. Já ouvistes dizer que não é bom sentar-se imediatamente depois de uma refeição. As condições físicas que reclamamos são a passividade e a rápida receptividade, não a passividade proveniente da preguiça ou do torpor. Não há pior condição do que o estado de sonolência, que sucede a uma refeição abundante, regada com bebidas excitantes. Esses estimulantes podem, em certos casos, ajudar as manifestações materiais; para nós, são obstáculos, pois que atraem Espíritos mais grosseiros e retêm a nossa ação. Os nossos projetos foram freqüentemente frustrados por esses meios. Fareis bem pensando nisso e resguardando-vos de todo e qualquer gênero de excesso, quando quiserdes comunicar conosco. Um corpo excitado ou inerte, um espírito vago e inativo impedem-nos de operar livremente. Um dos assistentes assim dispostos, um doente ou um ser que sofra, reage sobre nós e cria em um grupo condições desfavoráveis, que não podemos subjugar.
Mas então um corpo enfraquecido e uma natureza perturbada pela falta de nutrição nada vale?
Apenas aconselhamos a moderação. O corpo deve estar fortificado pela nutrição, mas só deveis começar o trabalho depois que ela tiver sido assimilada. Necessitais de um estimulante moderado para satisfazer a vossa tarefa cotidiana, mas deve ser tomado com precaução. Deveis certificar-vos de que só entrais em comunicação conosco sob as condições indicadas. Quando o corpo e o espírito estão predispostos ao sono, incapazes de manter a atenção, ou doente ou sofrendo, melhor será não começar o trabalho, salvo se fordes dirigido. Um corpo debilitado pelo jejum não é mais aproveitável que um corpo embrutecido e repleto de alimentos ingeridos. A temperança e a moderação nos ajudam. Se desejais, amigo, facilitar-nos o trabalho e atingir melhores resultados, deveis levar às sessões o corpo sólido e são, sentidos nítidos e avivados, e o espírito passivo e apto a receber. Então faremos por vós mais do que pensais. Em uma reunião harmônica convenientemente constituída, as manifestações serão de ordem menos inferior e o ensino a dar será mais elevado, mais digno de fé. A luz de que falais   é pálida, clara, sem fumaça, quando as condições são boas; torna-se embaciada, fosca e enfumaçada, se são más.
(Tinha-se dito que dois amigos, que se haviam manifestado muitas vezes, estavam agora colocados em outras esferas de trabalho; perguntei se os laços do casamento se perpetuavam; eis a resposta:)
Isso depende inteiramente da semelhança dos gostos e da igualdade do desenvolvimento. No caso em que essa conformidade exista, os Espíritos podem progredir lado a lado. Em nosso estado sabemos somente que a comunidade de gostos e de associações permite àqueles que estão no mesmo nível desenvolverem-se por um auxílio mútuo.
Para nós, tudo está subordinado à educação do Espírito, que se deve desenvolver sem cessar. Só entre almas congêneres pode haver comunidade de interesse; por conseqüência, nenhum laço pode ser perpetuado se não há ocasião de progresso. Os laços antipáticos, que envenenaram a vida terrestre da alma e embaraçaram a sua ascensão progressiva, cessam com a existência corpórea. A união das almas, para as quais a encarnação material foi uma fonte de apoio, de assistência, é dilatada depois da libertação do espírito. Os laços afetuosos que unem as almas são a maior excitação ao desenvolvimento mútuo. As relações são, pois, perpetuadas, não porque tenham uma vez existido, mas porque, na eterna adaptação das coisas, servem à educação do espírito. Em tais casos, o laço do casamento torna-se uma aliança de sólida amizade, durável e fortificada pelo auxílio e o progresso mútuos.
Todas as almas que se amparam mutuamente ficam em relações afetuosas até o momento em que lhes é mais útil separarem-se. Quando a ocasião chega, elas se afastam sem constrangimento, pois podem comunicar-se ainda e tomar parte no que interessa a uma e a outra. Uma lei contrária só faria perpetuar males e sustaria a marcha do progresso; mas não é permitido a ninguém fazer isso.
Não, mas imagino que almas, sem estarem exatamente no mesmo nível mental e moral, possam entretanto estar repletas de amor mútuo.
Essas almas não podem jamais ser realmente separadas. As considerações de tempo e de espaço impedem-vos de compreender o nosso estado. Não podeis adivinhar como os Espíritos possam permanecer a uma grande distância, conforme a vossa noção de espaço, sem cessar de estar, como o diríeis, intimamente unidos. Não conhecemos nem tempo nem espaço. Só podemos viver em união íntima com um Espírito no mesmo nível mental e progressivo. Na verdade qualquer outra união ser-nos-ia impossível. Uma alma pode estar ligada, por afeição, a uma outra, sem a íntima relação que temos em vista, falando do mesmo nível de desenvolvimento. O amor une os Espíritos a qualquer distância. Em vosso baixo estado de existência o vedes. O irmão ama o irmão, apesar dos oceanos que os separam, dos longos anos decorridos sem se verem nem se falarem. Suas ocupações podem ser inteiramente diferentes, é possível que não tenham nenhuma idéia em comum, e entretanto se amam. A mulher ama o bruto degradado que lhe mutila o corpo e esforça-se para esmagar-lhe o espírito. A hora da dissolução a libertará do jugo e da dor; ela se elevará, ele cairá; mas o laço do amor não será ainda quebrado, posto que os seus Espíritos não possam mais viver em comum. Mesmo aqui, o espaço é nulo, inexistente para nós.
Assim podeis vagamente compreender o que entendemos por união, identidade de desenvolvimento, comunidade de interesses, progressão mútua e afetuosa. Não conhecemos os laços indissolúveis de que se ocupa esse mundo.
Então são verdadeiras as palavras da Bíblia: “Eles não se casam nem são dados em casamento, mas são como os anjos de Deus”?
Exatamente. Já falamos das leis de progresso e de associação – leis que são imutáveis. O que hoje vos parece bom, rejeitareis com o corpo. O vosso estado atual pinta os vossos intuitos de uma cor particular. Somos obrigados a servir-nos de alegorias e empregar a vossa fraseologia para explicar muitas coisas, por isso não deveis apoiar-vos muito sobre a significação literal das palavras que empregamos para descrever o que, existindo apenas para nós, acha o seu contraste nesse mundo, excede aos vossos conhecimentos presentes e, em uma linguagem terrestre, só pode ser descrito aproximativamente. Isso é um conselho necessário.
Sim. Isso explicaria as discrepâncias que se acham em certos casos nas comunicações espíritas?
Tais diferenças provêm muitas vezes da própria ignorância dos Espíritos, da sua incapacidade para fazerem passar as suas idéias pelo canal da comunicação, de condições imperfeitas no momento da sessão e de outras causas: por exemplo, as insensatas perguntas e uma curiosidade pueril ocasionam as ociosas respostas de Espíritos que se acham no mesmo plano que o argüidor.
Mas um Espírito elevado não desejaria elevar o argüidor em vez de responder ao estulto de acordo com a sua estultícia?
Sim, isso seria possível, mas a estúpida disposição de espírito impede muitas vezes um tal esforço. Os semelhantes atraem-se, e o vulgo curioso, que pergunta sem querer ser instruído, mas sim satisfazer um capricho ou embaraçar-nos, só recebe resposta, se a recebe, de um Espírito semelhante a ele. Essa não é a disposição que convém para comunicar conosco. Um Espírito respeitoso, atento, obtém a informação e a instrução que é capaz de receber. Os curiosos frívolos, ignaros e presunçosos recebem o que procuram, são deferidos sem réplicas ou somente com as que convêm às suas perguntas. Fugi deles, pois são vazios e estultos.

Leia na próxima Edição: Seção VII

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