03/05/2012 - Quinta-feira
Não há duvida de que o anúncio da revitalização da Água Limpa aconteceu de maneira pouco cuidadosa.
Os cortes de árvores no instante em que a cidade ainda se encontra traumatizada contra os ataques ao patrimônio histórico na derrubada de prédios incorporados à identidade de nosso centro histórico atiçam emoções que pareciam adormecidas.
O que restou dos préidios da Mariazinha, Chicre Amin e Júlio Carone
O momento pré-eleitoral oferece ingredientes para algumas correntes políticas explorarem qualquer deslize administrativo.
A ação do plano de revitalização começou pelo avesso. A Praça Jorge Carone Filho já dispunha de duas pistas e canteiro central arborizado. Seu nível é mais elevado do que o trecho da Av. São João Batista desde a Ponte da Água Limpa até o início dos canteiros. A largura daquele trecho é a maior entre a Ponte e a Barra dos Coutos.
Praça Jorge Carone Filho - Muros dos Hospital São João Batista. http://www.asminasgerais.com.br/
Para o objetivo proposto, os trabalhos teriam que começar das partes baixas, onde se acumula o lamaçal trazido pelas enxurradas dos altos dos bairros criados sem planejamento. As próprias enxurradas deixam traçado um sulco, um rastro, que instrui por onde deve passar uma eficiente tubulação de captação das águas pluviais, providas de bueiros de espaço em espaço.
Grupo Padre Correa - facebook
Qualquer fato novo chama a atenção do povo. E vivemos momentos de ecos de um uma “onda verde”, com fóruns mundiais clamando contra o efeito estufa e a necessidade de salvar o Planeta do desmatamento. Por uma razão contextual, o bom senso aconselha a plantar árvores com a antecedência capaz de vê-las florescer antes do corte das que estiverem condenadas por necessidade inevitável.
A Água Limpa tinha as majestosas palmeiras no canteiro central a partir do seu início, onde se conecta com a Rua Dr. Altino Peluso e a Ponte que lhe dá o nome. Pode o tempo ter tornado a sua largura estreita para voltar à sua forma original do começo do Século passado. Mas é provável que na faixa de separação das pistas caiba a carreira de árvores, sem necessariamente um canteiro das mesmas dimensões da Praça Jorge Carone Filho. Uma disciplina dos espaços de estacionamento pode ajudar na solução, impedindo-o dos dois lados da Avenida em um mesmo trecho. Estacionamento em trechos alternados, de um lado e de outro são viáveis.
Ponte e Avenida - Água Limpa com palmeiras - Séc. XX. Imagem: Isah Baptista
Ao fim da Praça Jorge Carone, em direção à Barra dos Coutros, o itinerário se afunila na Av. Theoplhille Dubreil, a conhecida Rua dos Pedros. E mal comporta o trânsito em mão dupla. Quando há estacionamento, o tráfego se complica.
Av. Theoplhille Dubreil. Rua dos Pedros. Imagem: Isah Baptista
Mas, curioso:> parece que para cada problema existe uma solução à vista. O curso desativado da Estrada de Ferro oferece alternativa para o aproveitamento do tráfego rodoviário paralelo em toda a extensão da Rua dos Pedros até a Barra dos Coutos.
Havia uma angústia contida na população por causa das agressões ao Rio Chopotó desde a Ponte do Dr. Lelé, com as aberrações da Beira-Rio e de prédios particulares dentro do seu leito, que tantos males causaram com as últimas encnhentes(2006, Nov. 2010, e jan. 2012). A derrubada dos prédios históricos no centro da cidade mexeram com o sentimento de preservação da identidade de nossa gente. O corte das árvores da Praça Jorge Carone(que não constitui em desmatamento, porque não se trata de uma área de matas compactas) foi a gota d’água. O momento em que o Congresso vota o Novo Código Florestal tão ao gosto dos ruralistas, e tão contrário aos ambientalistas, fez explodir em Visconde do Rio Branco a “onda verde”, com ingredientes locais da proximidade das eleições e as rivalidades políticas de grupos em fim de um ciclo.
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Ponte e Avenida Beira-Rio: custos, erros e danificaçã.
Casas construídas à margem do Rio
A juventude, desacostumada às explosões de rebeldia desde os anos de chumbo, acordou de sua letargia. Movimentou-se e criou redes sociais na Internet para debate concentrado no corte das árvores daquela Praça, quando são inúmeros os problemas da cidade e diversificados: derrubada de prédios históricos, agressão ao Rio Chopotó, concessão de alvarás para construções em suas áreas de risco, abertura errônea da Av. Beira-Rio, tanto pelos altos custos de indenizações, quanto pela falta dos cuidados estruturais, como a necessidade de aprofundar o curso de suas águas de forma a conter o volume das enchentes previsíveis, sem o transbordamento que vem desde 1932. Mais os problemas sociais causados pela concentração de renda e riqueza, a má remuneração do trabalho, o desemprego, a comercialização de produtos no agronegócio que tanto mal tem feito à saúde humana. Muitos alimentos – sobretudo frutas – cheios de pesticidas e agrotóxicos são comercializados com boa aparência e, logo depois, na hora do consumo, estão deteriorados, nocivos e, não raro, envenenados.
Alimentos - ciberdiet.terra.com.br
Os debates nas redes sociais costumam se desviar para discussões pessoais, movidos a paixões e nem sempre esclarecedores.
Com erros e acertos, é bom que essas redes continuem a despertar na juventude o entusiasmo pela vida comunitária, pela cultura, pela política. Estamos carentes de novas lideranças. Se surgirem a partir deste momento, poderão ser úteis no futuro, dentro de alguns anos. Agora, faltam quadros e condições legais para se chegar às mudanças que o povo reclama nas urnas em um crescendo que ficou evidente nas últimas eleições.
Se em outubro próximo houver muita abstenção e voto nulo, não será surpresa. Faltam opções confiáveis. Faltam remadores habilitados para tocar o barco.
(Franklin Netto – taxievoce@hotmail.com)
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