06/04/2012 - Sexta-feira, 22:18
Quem passa pala Rua Voluntários da Pátria e vê o lote vazio em frente ao Beco de Pedra, lembra-se com certeza do Sr. Antônio da Silva Valente. Ali havia aquele sobrado, bem ao estilo antigo, não se sabe de quando, com a longa escada que dava à sua residência. Mas a ligação do povo com a figura do Sr. Valente acontecia no porão, no primeiro pavimento, onde ele matinha sua oficina de rádio. Reinou na profissão no tempo em que este era o instrumento de divertimento e comunicação mais popular do Brasil
Já o Sr. Chicre Amin tornou-se um comerciante popular e muito conhecido na Casa Santo Antônio, no ramo de tecidos, situada na esquina de Rua Nova com Rua do Divino. Há certa de 20 anos, os herdeiros do Sr. Chicre transferiram a casa comercial para o primeiro pavimento do sobrado onde morava a família, na Rua Floriano Peixoto, a “O Morro do Cemitério”, ali bem perto da Caixa Econômica Federal. Aquele sobrado também foi demolido e agora é mais um lote vazio, certamente para construção de algum “arranha-ceu”.
Casa Santo Antônio - Chicre Amin. Rua Floriano Peixoto - Morro do Cemitério. Imagem: Isah Baptista
Alguma coisa unia os respeitáveis patriarcas das famílias Valente e Amin. O Sr. Valente, exímio rádio-técnico, foi um dos fundadores da Rádio Cultura Rio Branco e pioneiro na radiofonia local. E prestava assistência técnica às emissoras de Ubá e região. E, na sua oficina, consertava os receptores que eram companhias inseparáveis de toda dona de casa, para as novelas da Rádio Nacional. E dos homens que gostavam de seresta e das modas de viola. Quem era da zona rural saía de lá feliz por ouvir seu radinho tocando as melodias sertanejas na onda da Cultura, o melhor som da região, no Programa Social.
E a Casa Santo Antônio, de Chicre Amin, patrocinava aos domingos, às 16 horas, depois do Caleidoscópio, o programa Casa Santo Antônio Procura Talentos, apresentado pelo Jotta Barroso. Era uma oportunidade para os artistas menos experientes se apresentarem. Para quem tinha pouca intimidade com microfone, era uma glória saber que seus vizinhos o ouviram cantar na Rádio.
O Sr. Valente teve o filho Alvair como um dos melhores locutores da Cultura, ao tempo de Tatão Garrincha, Mauro Lopes da Costa, Jésus Fonseca, Genaro Pacheco, Clarisse Adad e Zezinho Macarrão(José Carlos Gomes, pai do apresentador Tom Carlos. O Zezinho se revelou como locutor esportivo, transmitindo partidas do Nacional, no Estádio Joseph Lambert. E, no estúdio, apresentava Desfile de Boleros, como um programa de relax, no início da noite. O seu ponto forte ficava por conta da Parada de Sucessos, durante o dia, em horário de pico, quando recebia pedidos musicais por telefone. Batia recordes de audiência. Anunciava seu programa como “campeão de audiência em seu horário”. Em contraponto ao estilo popular do Zezinho, o Milinho Vianna apresentava, ao meio dia, No Mundo da Música, de repertório erudito com comentários e histórias sobre Mozart, Bach, Beethoven, Chopin, Brahms, Handel, Vivaldi, Strauss, Grieg,Tchaikovsky.
Imagem: rptp.tp
São recordações de um tempo. Década de 50(Séc. XX), quando a televisão engatinhava em Visconde do Rio Branco, pela persistência do Juarez da TV Rádio e de João Veríssimo, o contador da Prefeitura. Subiam o morro do Hospital, tentavam antena aqui e ali. De um lado para o outro. Instalaram no alto da Rua Biolquino de Andrade, onde fica hoje a COHAB III. Havia na cidade no máximo uns 10 privilegiados que podiam comprar um aparelho de TV para ver os chuviscos em preto e branco e exclamar feliz: “parece cinema!”
Imagem: img.lx.it.pt
Vejam como o progresso vai carregando a história e seus personagens: a casa de João Veríssimo, na Rua Nova, também já cedeu lugar a um novo prédio. Os descendentes diretos de uns e outros são raros. Poucos morando na cidade. São herdeiros de famílias exemplares, de muita dignidade, cada qual no seu ramo de atividade, cheios de entusiasmo, honestos e alguns pioneiros e sonhadores que persistiram e deixaram para as gerações de hoje o resultado de seu trabalho.
Do Sr. Valente, a cidade tem várias emissoras de rádio. Do Sr. Chicre Amin, no Procura Talentos, temos tantos artistas revelados. E de João Veríssimo e Juarez, vemos em cada residência um ou mais aparelhos de TV colorida.
Imagem: fatordigital.net
Direta ou indiretamente, revela-se na vida de todos a história de cada um.
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