05/04/2012 - Quinta-feira, 24:00
Este período de ano eleitoral faz a cidade sentir que falta um nome na contenda: Dr. Antônio Carlos Ignachitti Gomes. E este mês de Abril, tão fatídico, pelo Golpe de 64 e pelo Pacote de Abril, foi também o mesmo que no dia primeiro daquele abril de 2005 levou o Médico do Povo. Lá se vão sete anos que deixou um vazio na classe médica, mas sentida com profundidade na população carente e no meio político onde ele sonhava chegar ao poder para minorar a situação daquela gente atendida com humanidade e dedicação.
Por sua sensibilidade às questões sociais, persistia em todas as eleições, para marcar presença, deixar seu pensamento de inconformismo com as desigualdades, e com o processo corruptor de cada pleito. Mais importante para ele era participar e lutar. Entre ganhar e perder, preferia “perder com dignidade”, conforme suas palavras depois do pleito de 2004, quando a corrupção correu solta e o município conheceu a prática do que veio a ser entendido mais tarde como o “Mensalão”.
E aquele 2004 foi carregado de emoções, porque o seu grupo estava em plena campanha, logo depois das convenções de 10 de junho, quando sofreu o abalo da perda de Leonel Brizola, no dia 21. Brizola, outro insubistituível, criador e líder nacional do PDT, quando esse partido ainda tinha princípios e carregava a bandeira do trabalhismo, tão atacado e abalado pelos governos militares e seus sucessores, como acontece até hoje. E tão corrompido pelos que assumiram a sigla depois do seu criador.
Os dois haviam se encontrado em convenções anteriores em Belo Horizonte. Brizola, Darcy Ribeiro, Dr. Antônio, e mais um número considerável de militantes trabalhistas, formavam nos municípios, nos estados e no Brasil, um grupo com ânimo para lutar pacificamente, mas com persistência, pela defesa dos primados trabalhistas. Era colocar em prática a Carta de Lisboa e fazer valer os valores do trabalho como fonte de toda riqueza. E defender que o trabalhador tem que participar dessa riqueza, de maneira justa, que lhe garantisse condições para viver, educar-se, prosperar e ser feliz, com fartura e tranquilidade.
A esta altura do ano, Dr. Antônio estaria mobilizando seu grupo e a cidade tinha certeza de haver uma terceira via capaz para assumir no momento certo, quando estivesse esgotado o modelo dominante.
Neste momento, a cidade e o Brasil percebem que o adágio tão repedido de que “ninguém é insubstituível”, deixa de fazer sentido. Brizola é insubistituível. Dr. Antônio é insubstituível. Darcy Ribeiro e tantos outros que chegaram ao fim da vida de cabeça erguida. Foram pessoas de luta constante. Brizola até pegou em armas para evitar o Golpe em 61. Mas jamais foi envolvido em ato de corrupção, nem Dr. Antônio, nem Darcy Ribeiro, nem Jackson Lago e esse elenco de trabalhistas históricos, que defendiam postulados, lutavam por causas, não por cargos. Pensaram em Brasil soberano, em municípios desenvolvidos com justiça social, em erradicação do analfabetismo, da ignorância e da pobreza. Usaram étida, princípios.
O PDT e Brizola foram prejudicados eleitoralmente por denunciarem com bravura e coragem o golpe do Plano Cruzado, e tantos outros Planos que visavam tapear a população. Depois de cair a máscara desses planos, surgiu o reconhecimento: “Brizola tinha razão”.
Dr. Antônio sentia na carência de um paciente que não podia pagar a consulta a extensão de sua carência em moradia, comida, escola, trabalho.
Lamentava durante cada campanha o dinheiro gasto com tanto foguetório e festas mirabolantes das outras correntes, com expressões: “isto aí daria para o leite de muitas crianças”. Sua campanha era modesta, sem espetáculo e sem fanfarra. Porque sabia que, no fundo, quem paga tudo é povo. Entendia que financiadores de campanha são armadilhas, que impedem os eleitos de exercerem seu mandato com independência. Sabia que, desse vínculo, nasciam as licitações fraudulentas, o superfaturamento de obras. Capitalista não ajuda; investe.
Quanta semelhança: o PDT morreu com Brizola. A terceira via, em Visconde do Rio Branco, morreu com Dr. Antônio. Brizola em 21 de junho de 2004. Dr. Antônio, 10 meses depois: 01 de abril de 2005.
(Franklin Netto – taxievoce@hotmail.com)






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