sexta-feira, 6 de abril de 2012

Discurso de Brizola no Exílio - Encontro de Lisboa

06/04/2012 - Sexta-feira, 18:39


....É assim como nós definimos a base social do trabalhismo.

Continua.....



Naturalmente que aí se caracteriza perfeitamente o sentido pluriclassista, porque consideramos que o Partido tem que ter esse sentido de causa nacional. Entendemos que não há solução para nenhum setor das áreas onde a classe trabalhadora está organizada, onde o sindicalismo chegou ao mais alto nível, frente às multinacionais estabelecidas no País. Aquela área de trabalhadores necessita fundamentalmente da solidariedade geral do nosso povão que existe por todos os recantos da nossa pátria. Não conseguirão defender os seus próprios interesses sem o apoio de todo o povo. E o povo brasileiro necessita dela porque aquele é o contingente avançado da classe trabalhadora, indispensável para construir o nosso desenvolvimento. E por que isto? A explicação passa pelo portão da fábrica. Nas fábricas suecas, almas ou holandesas, para o trabalhador do terceiro mundo chegar até o portão, ele necessita de passaporte com visto para trabalhar naqueles países. No Brasil, não! Basta vir do Nordeste e do Norte, de Minas, do Sul etc, para o portão das fábricas, até sem carteira de identidade. E aí já se vai todo o poder que os trabalhadores devem ter em suas mãos para negociar com aquelas empresas. Então, a sorte daqueles companheiros que estão ali naquele setor avançado da classe trabalhadora, está intimamente ligada com a situação do marginalismo brasileiro. Não há solução para eles sem solução para o marginalismo. E não há solução para o marginalismo, sem eles. (Aplausos).
Para o nosso caso, nossa doutrina social tem este sentido. Pode ser que para Portugal, não. Pode ser que para a Suécia seja muito diferente, como é. Basta dar ainda uma outra ilustração. Sustento desde jovem, quando fazia conferências na UNE e aí pelo país afora quando nascíamos para essa ordem de problemas, sustentava o ponto de vista de que nossa economia é modelada para servir aos interesses internacionais, tocar nestes interesses é não tocar nos interesses de fora.
Isto não ocorre com os países industrializados. Reformam sua estrutura interna como querem. Tocam na terra, em outras estruturas da vida interna. É um problema deles! Nós, não! Tocamos nos nossos problemas, na nossa estrutura e estamos tocando nos interesses internacionais. Daí o sentido de causa nacional que a Carta Testamento nos deixa de maneira muito clara.
O nosso Partido é o das grandes maiorias populares, mas aí também está claramente uma opção. É possível que alguém diga, mas isto é uma Arca de Noé que não se define. E vem com uma terminologia muito acadêmica (sem nenhum desprimor aos nossos companheiros acadêmicos), teórica, elitista, cientificista, muito respeitável, mas sem aplicabilidade prática à realidade. Verdadeiramente, as causas do povo têm que ser atingidas assim, mas não é tão arca de Noé, não.
Porque aí está uma opção pela nossa pobreza, pelo nosso povo. E nós, trabalhistas, segundo esta proposta, temos que ir mais longe. Aí está, então, uma posição da maior importância, como definidora da nossa autenticidade.

Continua na próxima Edição:

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