quinta-feira, 5 de abril de 2012

Discurso de Brizola no Exílio - Encontro de Lisboa

05/04/2012 - Quinta-feira, 16:38


.... E não foram golpes que partiram do povo, absolutamente. Interessa às minorias e não às grandes maiorias do nosso povo.

Continua:

Na segunda parte nós procuraríamos estabelecer as nossas definições dentro de uma visão do trabalhismo. Aí então nós nos distinguíamos, porque todas essas questões anteriores, acreditamos, existirão outras correntes de pensamento que as consagrarão. Agora, a partir daqui, passaremos a caracterizar as nossas posições. Aqui os companheiros das comissões irão encontrar a nossa concepção sobre trabalhismo, daí, partimos para todo um campo de doutrina, para toda uma engenharia, através da qual focamos a nossa realidade e formulamos as nossas propostas. Partimos desta concepção de que o trabalhismo se fundamenta no primado dos valores do trabalho!
Como doutrina, o trabalhismo tem seu fundamento no primado dos valores do trabalho. O trabalho é a fonte originária de todos os bens e riquezas e é a relação básica sobre a qual se constitui a vida social. O trabalhismo ressalta o sentido social do trabalho como raiz, não somente de valores econômicos, como também de valores éticos, políticos e culturais e, desses princípios, resultam para nós definições assim:
1º que o trabalhismo considera e defende os valores humanos e a partir do trabalho, como uma das verdadeiras dimensões de justiça o conjunto das relações sociais. Para o trabalhismo em primeiro lugar está a pessoa humana, sua condição de ser social e ser que trabalha, sujeito de sua ação e consciente de sua liberdade, mas comprometido solidariamente com os demais na sociedade. O indivíduo e a família, esta como núcleo natural e básico de toda a vida social, inerente à própria natureza humana e onde o trabalho emerge igualmente como atividade solidária.
2º o trabalhismo consagrando o primado dos valores do trabalho e o conteúdo ético e social que é parte inseparável desse princípio e partindo das atuais condições da nossa realidade, é a ação política visando a transformação das estruturas econômicas e sociais, no sentido de uma crescente participação do povo trabalhador, não somente nos frutos da produção e do desenvolvimento, quanto nas áreas de decisão de todas as relações na sociedade. É assim, para nós, o trabalhismo uma doutrina dinâmica, democrática e democratizadora. E o seu objetivo é a participação crescente de um número cada vez maior de homens e mulheres em todos os campos e atividades, nas decisões políticas e nos bens da civilização.
Em relação a sua base social, o trabalhismo expressa essencialmente os direitos e as aspirações dos que dependem do trabalho para viver. De todos os que, solidariamente, aceitam e defendem seus postulados e princípios e de todos os que, enfim, exercem um trabalho ou qualquer forma de prestação de serviços como atividade social útil e, de um modo especial, das populações marginalizadas, os milhões de brasileiros oprimidos e abandonados, sem oportunidade de trabalhar condignamente e desenvolver suas potencialidades. Abrange, assim, o trabalhismo, um amplo arco social cuja espinha dorsal são os trabalhadores e camponeses de todo o Brasil. Desde as populações mais pobres e marginalizadas, os subempregados, os assalariados em geral, os camponeses, os pequenos produtores do interior, funcionários, profissionais, enfim, mães e donas-de-casa, como parte do trabalho não remunerado, aposentados, classes médias e empresários nacionais da indústria, do comércio e do campo que aceitem o sentido social e o conteúdo ético e democratizador do programa trabalhista. É assim como nós definimos a base social do trabalhismo.

Continua na próxima Edição:

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