terça-feira, 10 de abril de 2012

Casarões demolidos na Rua Floriano Peixoto “eram um só bloco junto com o imóvel do Conservatório”, diz Marco Aurélio Carone

10/04/2012 - Terça-feira, 18:41




A demolição dos imóveis no começo da Rua Floriano Peixoto, em Visconde do Rio Branco(MG), neste início de semana, está sujeita a contestação judicial, por se tratar de bens inventariados, para futuro tombamento pelo Patrimônio Histórico do Município.  A questão vem sendo levantada pelo rio-branquense Marco Aurélio Carone, neto do Dr. Jorge Carone, que teria sido o construtor daquele conjunto do qual faz parte o atual Conservatório Estadual de Música.



Mansão da Família Carone. Imagem: Isah Baptista.


Os prédios demolidos constam da casa que pertenceu ao ex-prefeito Júlio Carone; dos sobrados da família do comerciante Chicre Amin e da cantora Mariazinha. Esses titulares já falecidos. Segundo versões populares, a casa de Júlio Carone servira também como Posto Telefônico quando o sistema era precário e havia poucos aparelhos na cidade.  Para se ter uma idéia da época, a sua placa luminosa  anunciava  “Telephone Publico”.
Sobrado pertencido à família de Chicre Amin. Imagem: Isah Baptista

Sobado pertencido à cantora Marizinha. Imagem: Isah Batista.


Sobre o valor histórico dos prédios e os trâmites de poder para sua preservação, a Professora Theresinha Almeida Pinto, Diretora do Museu Municipal, e que fora presidente do Conselho Consultivo, disse em desabafo:

- Realmente, o interesse imobiliário e o desinteresse do poder político estão juntos. Deixei o cargo de Presidente do Conselho, justamente por isso. É impossível lutar de forma tão desigual. Quanto às casas mencionadas, elas não eram tombadas, mas eram inventariadas, o que, realmente, nada significa, ao que parece. 


O Globo e Istoé estão atrás desta notícia

Marco Aurélo conta:

- Ontem no início da noite encontrei com dois jornalistas, um do O globo e o outro da Istoé, estão fazendo uma matéria a respeito, estavam saindo da assessoria de comunicação da Procuradoria Geral de Justiça. Segundo eles a Promotora Dra. Letícia Vidal Tropoli informara à área de comunicação da PGJ que teria dado um prazo de cinco dias para que a prefeitura informasse sobre a tramitação das autorizações para demolição dos imóveis e se eles eram inventariados.

            E mais:

- Deram-me cópia das atas do ano de 2011 do Conselho Consultivo Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Visconde do Rio Branco e cópia da Lei que criou o conselho, que lhe encaminho (PDF anexo).  Lendo as atas e a Lei você constatará duas coisas. A primeira é que o próprio conselho reconhece que os procedimentos analisados por ele não estão merecendo a devida divulgação para conhecimento da população maior interessado, segundo é que sabiam da necessidade de uma fundamentação técnica para decidir a questão. Tanto é que na última reunião de 2011 é sugerido inclusive solicitação técnica do IEPHA.

          Argumenta que o prefeito é  responsável pela demolição:

-  Conforme constante da lei nº 003/91 realmente o conselho é apenas consultivo, desta forma a responsabilidade pelo ato que determinou a demolição é do prefeito.
Prefeito João Antônio de Souza. Imagem: Instituto Guarda-Mirim


         Diz que o conjunto era um só bloco, junto com o Conservatório

- . Outra questão importante é que segundo o IEPHA aqueles casarões eram um só bloco junto com o imóvel do conservatório, trata-se de um sítio histórico algo como uma praça e até mesmo uma cidade como é o caso de Ouro Preto, onde protege-se  o conjunto, uma vez que foram construídos juntos na mesma época e pela mesma pessoa, coincidentemente meu avô Jorge Carone.

         Multa pela demolição e a vista para o Conservatório, continua:

- Outra questão é o valor da multa, como já havia lhe dito, a própria Lei municipal fixa a mesma em 50% do valor da obra, no caso o prédio que seria construído. O mais importante segundo técnicos do IEPHA é que, em última analise, mesmo se não fossem imóveis inventariados, não pode ser construído nada que impeça a vista do conservatório, fato que já foi anteriormente decidido em relação à altura do prédio da Caixa.

Marco Aurélio. Imagem: noticas.terra.com.br
         E encerra com ameaça de ação popular:


- Estou apoiando-me em um escritório especializado em tombamento para analisar tudo. Aguardarei as providências prometidas pela promotoria. Caso eu entenda que não sejam suficientes ajuizarei uma ação popular, pedindo para que o IEPHA integre a lide. Lamento que assunto de tamanha importância histórica seja tratado da forma que foi.

(Franklin Netto – taxievoce@hotmail.com)

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