terça-feira, 5 de junho de 2012

Fogueira, barraquinhas, leilão e trânsito congestionado


05/06/2012 - Terça-feira




As primeiras noites de Junho trazem o movimento alterado na Rua Santo Antônio, em torno da Igreja.

Os festeiros de cada noite, o tradicional oferecimento de lírio, as procissões e as barraquinhas formam o conjunto de  atividades que atraem pessoas de todo lugar a convergir para aquelas imediações.

Vai longe o tempo em que havia o grande espaço das mangueiras, em frente à Igreja, na época da capela, onde os participantes se espalhavam em alegres rodas de moças e rapazes.  A condução eram charretes, bicicletas, cavalos e raríssimos automóveis. 

Enquanto uns tomavam quentão, outros comiam batata doce e salgadinhos, outros mais formavam grupos para jogo de peteca.  Quem diria? O movimento era tranquilo e tudo se podia, porque havia lugar de sobra.

Os tempos mudaram o modo de vida de todos e o seu meio de locomoção. Não há mais as mangueiras. Seu espaço que parecia área pública tornou-se domínio particular de fato e de direito.  Charretes, cavalos e bicicletas cederam lugar aos automóveis. O estacionamento ficou pequeno em volta da Igreja, nas laterais da própria rua, na travessa que liga à Estrada de Ferro(Rua Major Felicíssimo), também tomada em grande parte pelos veículos, cujos proprietários gostam das festas de Santo Antônio. 

Agora, a passagem, entre os veículos estacionados e o povo que se espalha naquela área, cabe um só carro.  Quando trafegam dois em sentido contrário, congestiona tudo.  Tem que haver muita paciência, urbanidade, civilidade, para superar o desejo e a necessidade de cada um seguir seu destino.

As festas de Santo Antônio vão até o dia 13, feriado do Santo Casamenteiro.  Na véspera, 12, há fogueira.

Até passar o período, quem tiver de trafegar para além da Igreja de Santo Antônio, é melhor procurar alternativas fora daquele trecho. Quem sai da Praça 28 de Setembro, dependendo do destino, deve desviar pelo Bairro Centenário, Coronel Joaquim Lopes e Formiga, por um lado; ou pela Major Felicíssimo, desde a Estação Ferroviária.
Rua Major Felicíssimo. Estação Ferroviária. Imagem: www.asminasgerais.com.br

Quem, ao contrário, vem da Caixa D’Água, COHAB, Pito Aceso, ou Bairro de Lourdes para a o centro, deve sair para a Major Felicíssimo, ou subir a estreita ladeira à esquerda, pouco antes da Igreja, para atingir o Bairro Cel. Joaquim Lopes e Rua Nova(Av. Dr. Carlos Soares).
Rua Nova - Av. Dr. Carlos Soares. Imagem: Isah Baptista


Depois do dia 13, as festas mudam para a Praça 28 de Setembro e imediações da Igreja Matriz, com louvores a São João Batista, o padroeiro da cidade.  Os dias 13 e 24 são feriados no Município, porque os rio-branquenses concentram sua devoção festeira a esses dois santos, sem rivalidade.  Cada qual tem sua importância particular e o povo comemora o período de cada um com o mesmo entusiasmo.  A feição folclórica vai além da Igreja e da Matriz. As fogueiras se espalham por vários pontos da zona rural até fins do mês de julho.  Por isto se mistura a denominação de junina e julina.  Os que querem definir especificamente o culto a São João preferem o termo joanina.   São particularidades simplesmente curiosas, que não influem no espírito de quem procura os bailes, as bebidas e a fogueira.  Para muita gente prevalecem as definições dos patrocinadores e dos lugares onde rola o forró e o quentão: Festa dos Zonta, dos Monteiro, e do Sr. Antônio Soares, como se referia antigamente aos festejos do Engenho Piedade, na Rua do Rosário, onde por várias vezes esteve presente nada mais nada menos do que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, compadre do dono da festa.
Praça 28 de Setembro. Imagem: Rodrigo Benati


No tempo do rádio, quando um sentimento de nacionalidade era mais forte, neste período de cada ano os compositores criavam melodias apropriadas, como acontecia também no Carnaval. Depois veio a televisão junto com a alienação cultural por toda a mídia que alterou a identificação da alma do povo com imagem subliminar desses repertórios de época.  A maioria das músicas características tinha autores definidos; outras eram domínio público e, nem sempre, os autores eram conhecidos.

As gerações atuais pouco ou nada sabem dessas melodias que os avós cantaram e os sanfoneiros tocaram:

Músicas juninas:
CAPELINHA DE MELÃO
autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro


PEDRO, ANTÔNIO E JOÃO
autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago

BALÃOZINHO 

SONHO DE PAPEL
autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro


PULA A FOGUEIRA
autor: João B. Filho

CAI, CAI, BALÃO

Isto é Lá Com Santo Antônio
Autor: Lamartine Babo
Noites de junho
Autor: João de Barro e Alberto Ribeiro
Olha Pro Céu Meu Amor
Autores: José Fernandes e Luiz Gonzaga
 

(Franklin Netto – taxievoce@hotmail.com)

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