As
primeiras noites de Junho trazem o movimento alterado na Rua Santo Antônio, em
torno da Igreja.
Os
festeiros de cada noite, o tradicional oferecimento de lírio, as procissões e
as barraquinhas formam o conjunto de atividades que atraem pessoas de todo lugar a
convergir para aquelas imediações.
Vai
longe o tempo em que havia o grande espaço das mangueiras, em frente à Igreja, na
época da capela, onde os participantes se espalhavam em alegres rodas de moças
e rapazes. A condução eram charretes,
bicicletas, cavalos e raríssimos automóveis.
Enquanto
uns tomavam quentão, outros comiam batata doce e salgadinhos, outros mais
formavam grupos para jogo de peteca.
Quem diria? O movimento era tranquilo e tudo se podia, porque havia
lugar de sobra.
Os
tempos mudaram o modo de vida de todos e o seu meio de locomoção. Não há mais
as mangueiras. Seu espaço que parecia área pública tornou-se domínio particular
de fato e de direito. Charretes, cavalos
e bicicletas cederam lugar aos automóveis. O estacionamento ficou pequeno em volta
da Igreja, nas laterais da própria rua, na travessa que liga à Estrada de
Ferro(Rua Major Felicíssimo), também tomada em grande parte pelos veículos,
cujos proprietários gostam das festas de Santo Antônio.
Agora,
a passagem, entre os veículos estacionados e o povo que se espalha naquela área,
cabe um só carro. Quando trafegam dois
em sentido contrário, congestiona tudo.
Tem que haver muita paciência, urbanidade, civilidade, para superar o
desejo e a necessidade de cada um seguir seu destino.
As
festas de Santo Antônio vão até o dia 13, feriado do Santo Casamenteiro. Na véspera, 12, há fogueira.
Até
passar o período, quem tiver de trafegar para além da Igreja de Santo Antônio,
é melhor procurar alternativas fora daquele trecho. Quem sai da Praça 28 de
Setembro, dependendo do destino, deve desviar pelo Bairro Centenário, Coronel
Joaquim Lopes e Formiga, por um lado; ou pela Major Felicíssimo, desde a
Estação Ferroviária.
Rua Major Felicíssimo. Estação Ferroviária. Imagem: www.asminasgerais.com.br
Quem,
ao contrário, vem da Caixa D’Água, COHAB, Pito Aceso, ou Bairro de Lourdes para
a o centro, deve sair para a Major Felicíssimo, ou subir a estreita ladeira à
esquerda, pouco antes da Igreja, para atingir o Bairro Cel. Joaquim Lopes e Rua
Nova(Av. Dr. Carlos Soares).
Rua Nova - Av. Dr. Carlos Soares. Imagem: Isah Baptista
Depois
do dia 13, as festas mudam para a Praça 28 de Setembro e imediações da Igreja
Matriz, com louvores a São João Batista, o padroeiro da cidade. Os dias 13 e 24 são feriados no Município,
porque os rio-branquenses concentram sua devoção festeira a esses dois santos, sem
rivalidade. Cada qual tem sua
importância particular e o povo comemora o período de cada um com o mesmo
entusiasmo. A feição folclórica vai além
da Igreja e da Matriz. As fogueiras se espalham por vários pontos da zona rural
até fins do mês de julho. Por isto se
mistura a denominação de junina e julina.
Os que querem definir especificamente o culto a São João preferem o
termo joanina. São particularidades
simplesmente curiosas, que não influem no espírito de quem procura os bailes,
as bebidas e a fogueira. Para muita
gente prevalecem as definições dos patrocinadores e dos lugares onde rola o
forró e o quentão: Festa dos Zonta, dos Monteiro, e do Sr. Antônio Soares, como
se referia antigamente aos festejos do Engenho Piedade, na Rua do Rosário, onde
por várias vezes esteve presente nada mais nada menos do que Luiz Gonzaga, o
Rei do Baião, compadre do dono da festa.
Praça 28 de Setembro. Imagem: Rodrigo Benati
No
tempo do rádio, quando um sentimento de nacionalidade era mais forte, neste
período de cada ano os compositores criavam melodias apropriadas, como
acontecia também no Carnaval. Depois veio a televisão junto com a alienação
cultural por toda a mídia que alterou a identificação da alma do povo com
imagem subliminar desses repertórios de época.
A maioria das músicas características tinha autores definidos; outras eram
domínio público e, nem sempre, os autores eram conhecidos.
As
gerações atuais pouco ou nada sabem dessas melodias que os avós cantaram e os
sanfoneiros tocaram:
Músicas
juninas:
CAPELINHA DE MELÃO
autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro
autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro
PEDRO, ANTÔNIO E JOÃO
autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago
autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago
BALÃOZINHO
SONHO DE PAPEL
autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro
autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro
PULA A FOGUEIRA
autor: João B. Filho
autor: João B. Filho
CAI, CAI, BALÃO
Isto é Lá Com
Santo Antônio
Autor: Lamartine Babo
Autor: Lamartine Babo
Noites de
junho
Autor: João de Barro e Alberto Ribeiro
Autor: João de Barro e Alberto Ribeiro
Olha Pro Céu
Meu Amor
Autores: José Fernandes e Luiz Gonzaga
Autores: José Fernandes e Luiz Gonzaga
(Franklin
Netto – taxievoce@hotmail.com)
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