quarta-feira, 6 de junho de 2012

Salário Mínimo de R$ 622,00 fica mais distante do necessário de R 2.383,28


06/06/2012 - Quarta-feira



Em maio último seriam necessários 3,831 salários de R$ 622,00 para atingir  R$ 2.383,28 necessários para um trabalhador viver com sua família, composta de dois adultos e duas crianças, conforme determina a Constituição Federal

Em abril esses R$ 622,00 precisariam ser multiplicados por 3,745 para chegar aos R 2.329,35 que os estudos do DIEESE apontavam como necessários para cobrir as despesas básicas de uma família composta da mesma maneira.

Em 15 das 17 capitais onde o DIEESE realiza mensalmente Pesquisa Nacional  da Cesta Básica, apresentaram alta no valor do conjunto de produtos alimentícios essenciais, em maio, em relação a abril.

Os R$ 622,00 representam apenas 26,10% daquele salário estabelecido pela Constituição Federal, que teria de suprir as necessidades como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV).

E o Brasil tem condições de pagar esse salário aos  seus trabalhadores. Só não faz porque a renda é concentrada nas mãos dos 10% mais ricos.

A renda per capita gira em torno de R$ 19.000,00.  Isto quer dizer que cada brasileiro, empregado ou desempregado, adulto ou criança, contribui com R$ 1.583,00 por mês para o Produto Interno Bruto(Soma de todas as riquezas produzidas no País). Até um bebê, no consumo do leite e das fraudas, participa dessa renda.  Esse valor por pessoa, multiplicado por 4(estimativa do número médio componentes de uma família) dá R$ 6.333,33.

Se a cada família fossem destinados R$ 2.383,28, sobrariam R$ 3.950,00 como contribuição familiar para manter a máquina pública em todas as suas instâncias.

Se o trabalhador recebe somente R$ 622,00, dele estão sendo confiscados R$ 1.761,28, quase três vezes o que ele recebe.  Pode ser considerado que os menos remunerados pagam as maiores taxas de imposto, 73,90%!

Ninguém pode negar que essas injustiças são a causa maior da violência e do desvio de conduta de jovens.  Se o chefe da família não ganha o necessário, em cada casa “falta o pão. Todos gritam e ninguém tem razão”. A mãe, que deveria estar no lar acompanhando o desenvolvimento dos filhos, é obrigada a trabalhar fora para ajudar um no sustento dos filhos.  Mesmo assim é pouco.  E eles crescem ao “Deus dará”, desorientados, sem afeto e sem carinho, expostos a exploração de criminosos que os colocam como transportadores de produtos ilícitos, beneficiados pela impunidade na condição de menor.

Muitos lares se desfazem por causa dessa carência. Pais e mães que chegam em casa cansados depois de um dia de labuta, não têm as condições psicológicas necessárias para conversar com os filhos, saber o que fizeram e por onde andaram.  Essas crianças vão crescendo órfãs de pais vivos. Quando atingem a maioridade deixaram de aprender alguma atividade sadia, foram relapsas nos estudos, proibidas de trabalhar pelas leis atuais.

Se deixaram de ter perspectivas de vida, ficam sem horizontes. O mal costume foi seu hábito e fez sua natureza. Se não  tiveram acompanhamento no tempo certo, não haverá passe de mágica para torná-la um adulto diferente do que o menor desorientado. A esta altura, tem laços fortes com a criminalidade, onde é fácil entrar, mas difícil sair.  Torna-se arquivo. Continua ou é queimado.

E o Estado que penaliza todo trabalhador na ativa ou aposentado de base do salário mínimo, pune mais fortemente os aposentados que contribuíram com parcelas maiores e que tiveram  direito a aposentadoria sobre referências maiores de um salário.  A cada reajuste anual, estes vão  vendo cair seus referenciais, cada vez mais próximos do menor valor. Parece que há submissão dos governantes aos gestores das aposentadorias privadas. Desestimulam-se os aposentados pela Previdência Social, para favorecer o “negócio” do grande capital que gere a previdência particular(grandes bancos e financeiras, algumas estrangeiras), com o risco de falência, ou encerramento de suas atividades, cujos dirigentes desaparecem de uma hora para outra, e deixam os segurados a ver navios.

Previdência social tem que ser pública, porque o estado, em tese, tem duração perene, enquanto a empresa privada tem existência efêmera: depende da qualidade da sua gestão, da vida e da vontade de seus acionistas. Quem contribui na esperança de uma aposentadoria melhor, não tem qualquer segurança, qualquer garantida de seu cumprimento.

A Previdência pública tem por base a solidariedade entre gerações, sempre atreladas ao Estado permanente. 

A particular, enquanto está recebendo adeptos com suas contribuições, vai muito bem. À medida que os primeiros começam a ter direitos a receber, desaparece de repente, como já aconteceu a alguns “montepios” de classe.

Se algum dia o país tiver governantes honestos, estes têm de cuidar, em primeiro lugar, da distribuição da riqueza.  Fazer com que cada trabalhador tenha seus direitos básicos para manutenção da família, com oportunidade de educar-se e adquirir conhecimentos em todos os níveis. Estabelecer um teto de renda, fazer com que as diferenças sejam pequenas, estabelecidas por mérito, não como privilégio.  A sociedade tem que evoluir em conjunto. Os bens sejam distribuídos a todos, segundo suas necessidades; e a cada um segundo seu merecimento.

Nossa realidade de que 50.000.000 de famílias giram em torno de 50.000, faz com que  0,1% de pessoas controlem a vida de todos. É a presença das oligarquias que aprisionam uma população inteira. Quanto menor o número de habitantes de cada município, maior é a mordaça, que chega ao ponto de uma escravidão sutil, mas de fato. Chega-se ao ponto de a vontade de uma pessoa se impor a 10.000. 

As populações começam a se libertar desse sistema oligárquico, à medida que cada município começa a ultrapassar os 50.000 mil habitantes.  Por isto, os políticos estão sempre querendo criar novos municípios para dividir a população, criar rivalidades, mais despesas com poderes executivo e legislativo e, consequentemente, mais impostos para um bloco social. 

Se um mesmo número de habitantes tiver mais estados e mais municípios, terá que manter mais governadores, deputados, prefeitos e vereadores.  Daí, um mesmo grupo social terá sobre si muito maiores despesas públicas.

Isto de certa maneira explica porque os trabalhadores são tão mal remunerados, as pequenas e médias empresas vivem com tanta dificuldade, e os políticos são tão bem pagos, os mais caros do mundo.  Haja impostos e confiscos salariais para manter essa máquina que impede o fortalecimento do mercado interno que seria o fator gerador da melhor distribuição da renda e da riqueza.  Com um mercado forte, todos viveriam bem. Com o mercado que temos, todos se tornam dependentes de alguns poucos.






Embasamento desta material - DIEESE

2012     Salário Vigene     Salário Necessário
Maio     R$ 622,00(26,10%) R$ 2.383,28 = 3,831 vezes   
Abril    R$ 622,00          R$ 2.329,35
2011
Maio     R$ 545,00(23,77%) R$ 2.293,31 = 4,20 vezes


Período
Salário mínimo nominal
Salário mínimo necessário
2012
Maio
R$ 622,00
R$ 2.383,28
Abril
R$ 622,00
R$ 2.329,35

Maio
R$ 545,00
R$ 2.293,31


......
O ICV/DIEESE apresentou taxa de 0,43% em maio, inferior à de abril (0,68%) em -0,25 pontos percentuais (pp.). Os grupos da Alimentação (1,05%), Habitação (0,65%) e Saúde (0,80%) foram os grandes responsáveis pela inflação de maio, os quais contribuíram com 0,57 pp. no cálculo do ICV deste mês.
......
A exemplo do que ocorreu em abril, 15 das 17 capitais onde o DIEESE realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica registraram alta no valor do conjunto de produtos alimentícios essenciais. O salário mínimo necessário foi calculado em R$ 2.383,28, ou 3,83 vezes o mínimo em vigor, de R$ 622,00.


(Frankin Netto -  taxievoce@hotmail.com)

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