quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ensinos Espiritualistas – Sayonara(QUARAÍ-RS) – Mediunicamente


07/06/2012 - Quarta-feira





Recebidos por
William Stainton Moses
(A.        Oxon)


Seção XXVIII

 (20 de fevereiro de 1874. Tínhamos recebido durante uma das nossas sessões um espécime de escrita direta de que não sabíamos o que fazer; os caracteres formavam curiosos hieróglifos.)
Que significa esta escrita?

Esta escrita ininteligível para vós é obra de uma alta inteligência, que esteve encarnada entre os egípcios, quando formavam a nação mais espiritualista. Eles eram profundamente instruídos no conhecimento da imortalidade e da indestrutibilidade do espírito, e conheciam a força e a intervenção dos agentes espirituais. Sabeis a que grau de civilização eles tinham chegado, para serem, e por sua erudição, os depositários da Ciência. Sim, na verdade eles possuíam uma sabedoria que a idade material perdeu – sabedoria que iluminava as almas de Pitágoras e de Platão e que por eles filtrou até vós. Os antigos egípcios eram filósofos discretos, sábios, e o vosso amigo pode ensinar-vos o que ignorais sobre esse capítulo. Depois de um intervalo de mais de 3.000 anos, um deles, que, encarnado, reconheceu Deus e a vida futura, vem testemunhar aqui a permanência da sua fé.

Como se chama ele e por que se serve de hieróglifos ininteligíveis?
Conhecê-lo-eis, mas a sua personalidade terrestre está desde muito tempo esquecida, e já não a reconheceríeis mais, como também não saberíeis ler os seus sinais. Durante a sua encarnação, soube ele que a vida corpórea era o curto e primeiro grau de uma existência perpétua, e foi subindo, de acordo com a sua crença, para Ra, a fonte de luz.
Acreditava ele na absorção em Deus depois de uma longa carreira de progresso?

Havia, com efeito, alguma coisa disso na sua fé egípcia. Presentemente basta que conheçais aquilo que o ponto teológico especial à doutrina egípcia – a santidade do corpo – oferece de verdadeiro e de falso.

Os egípcios viam o Grande Deus em tudo quanto era animado, e o corpo humano era-lhes tão sagrado que se ocupavam essencialmente de preservá-lo, quanto possível, da decomposição natural. O cuidado exagerado do corpo era um erro, mas a sábia preservação da saúde corpórea era verdadeira. Eles tinham razão de ver Deus em tudo; mas enganavam-se em sua doutrina sobre a transmigração através do infinito dos séculos. O Espírito já esclarecido abandona os sistemas, que, sob pretexto de simbolizar o Criador, conduzem ao culto da vida animal sob as suas múltiplas formas, porém ele conserva a grande verdade do desenvolvimento progressivo sobre a égide da grande Força Criadora.

O nosso amigo e os seus irmãos vêem agora que a natureza do vosso planeta é uma manifestação fenomênica do Supremo, e se a vida tal como a conheceis na Terra não pode ser objeto de adoração, o homem que se esforça para descobrir o seu Deus através da Natureza não pode ser insensatamente censurado. Não compreendeis isso?

Compreendo que nos sirvamos de tudo para atingir esse Deus. Mas eu pensava que a teologia egípcia era muito material comparada à da Índia. As comunicações que traçastes sobre as religiões do mundo deixam-me a impressão de que o Egito reage de acordo com a Índia. Todo erro contém alguma verdade exata, como cada verdade oferece um misto de erros. Os dois termos são relativos mas não absolutos?

O que dizeis é verdadeiro. Apoiar-nos-emos mais tarde sobre os pontos característicos da teologia hindu. Queremos mostrar-vos que tal verdade conhecida dos antigos vos é em muitos casos desconhecida. É bom que aprendais a ser modesto, comparando o vosso saber ao dos antigos.

Sim, não me lisonjeio de conhecer outra coisa a não ser a minha ignorância nessa matéria. É de mau gosto zombar de qualquer forma de religião. O nosso amigo viveu nos séculos passados. Sacerdote egípcio, não é?

Profeta de Osíris, iniciado nos mistérios esotéricos ocultos à multidão. Ele adorava a trindade Osíris-Ísis-Horus. O supremo, a mãe universal, o filho, sacrificado pelo pecado humano; conhecia Deus como o vosso historiador sagrado o revelou em termos tomados do Egito. Sou o Uno, a Essência Universal, a Fonte de vida e de luz. Moisés tomou aos sacerdotes de Tebas (do Egito) o título de Jeová.

Qual era o nome original?

Nuk-pu-Nuk. Sou o que sou. Aquele que inspira esta comunicação era profeta de Ra em On, a cidade de luz chamada Heliópolis, cidade do Sol para os gregos. Aí viveu mil seiscentos e trinta anos antes da era chamada cristã. Seu nome era Chon e ele vos fala em testemunho da imortalidade e eu garanto a veracidade do seu testemunho.
† Imperator

Poderei obter alguns documentos acessórios sobre a teologia egípcia?

Não é necessário, pouca coisa resta dos velhos livros Herméticos. Os escritos do Ritual dos mortos que se acham nos sarcófagos das múmias são extratos deles. As inscrições sobre os túmulos e as urnas funerárias são as mais antigas lembranças da fé egípcia.

A religião era para o egípcio o móvel dominante, a vida em suas menores particularidades era-lhe submissa. A Arte, a Literatura e a Ciência dependiam dela.

O cerimonial das purificações dava o tom de espiritualidade aos negócios da vida e todos os atos do egípcio se referiam à existência de uma outra vida sobre a qual se fixava seu firme olhar.

Cada dia era colocado sob a proteção especial de um Espírito ou divindade que presidia ao seu curso. Cada templo possuía os seus profetas, sacerdotes, pontífices, juízes, escribas, versados na ciência mística, os quais ocupavam sua vida casta e pura em penetrar os segredos ocultos da Natureza e os mistérios da relação dos Espíritos.

Eram homens sábios, espiritualizados, a quem, aliás, certas coisas hoje conhecidas escapavam, e cujo profundo conhecimento filosófico e nitidez de percepção espiritual levavam a uma altura a que os vossos sábios de hoje não podem aspirar.

Em religião prática o vosso povo não mais se iguala aos egípcios, e ainda que a fé do Egito fosse errônea sob certos pontos de vista, possuía o que resgatava os seus erros e enobrecia os que a professavam; não tinham eles abraçado um materialismo mortal, nem haviam fechado as saídas à alta vida do espírito; viam Deus em todos os atos da vida, não compravam nem vendiam visando a prejudicar e roubar de propósito deliberado, e se testemunhavam um respeito indevido ao que é mortal e material, não desconheciam o espiritual.

Sabeis quão antiespiritualista é a vossa época, sem vistas anteriores, rasteira, sem fé ativa da vida do espírito. Fazei a comparação; não exaltamos a religião egípcia, mas mostramos que o que vos parecia tão vil e terrestre era uma fé incompleta, porém viva; poderosa por sua ação constante e encobrindo uma profunda sabedoria espiritual.

Sim, de um lado, sem dúvida. Pode dizer-se outro tanto de cada forma de fé. 

Nasce no homem quando tateia a pesquisar a imortalidade e a verdade. Há muito materialismo em nossa época, mas fazem-se também grandes esforços para se libertar dele. Sois apenas imparcial, pois poucos são materialistas por escola, e se houve tempo em que a preocupação dominante estivesse voltada para a religião, Deus e o Além, esse tempo é o atual. As vossas censuras, parece-me, não conviriam melhor a uma idade desaparecida?

Pode ser. Há, com efeito, uma grande tendência para se ocuparem com essas questões: quando ela existe, há esperança, mas há também uma vontade determinada de excluir tudo quanto tem relação com o espírito, como fator da existência humana, de tudo atribuir à matéria e de esmagar as pesquisas do lado do espírito e das relações espirituais, ora levando-as para o ridículo e o desprezo, ora tachando-as de ilusórias e fúteis. O estado de transição existente, entre a fé que desaparece e a que lhe sucede, é necessariamente um estado de convulsão. O homem deve passar por isso e a sua visão é aí perturbada.

Sim, as coisas parecem variáveis e obscuras, em estado fluídico; muitas pessoas recusam sair dos seus sonhos, pois não podem suportar o pensamento de que a sua crença na matéria era apenas o véu do espírito. Mas isso não altera em nada a minha convicção de que em nenhuma outra época, a não ser a nossa, se fez investigação mais ativa e inteligente sobre as profundas verdades naturais e espirituais. Não acho outra equivalente no passado, a não ser a grande era da antiga Grécia.

Não pretendemos abalar a vossa opinião. Quisemos somente mostrar, por um exemplo frisante, que há verdades ocultas, mesmo sob as religiões que julgais grosseiras.

“Conhecendo toda a sabedoria dos egípcios”, não teria o legislador incorporado uma grande parte dela em seu código?
Sim, sem dúvida. A circuncisão é tomada dos mistérios egípcios, assim como o cerimonial das purificações. A vestimenta de linho dos sacerdotes, o querubim místico que guarda a sede de misericórdia, o santo lugar, o santo dos santos, tudo isso vinha dos templos do Egito. Mas Moisés, versado como o era na ciência do santuário, no qual tinha sido educado, não soube, tomando o ritual, assenhorear-se das idéias espiritualistas que ele simbolizava, e nunca fez alusão ao destino da alma, julgando as aparições simples manifestações fenomênicas introduzidas incidentemente, de modo que a grande doutrina da imortalidade não foi indicada.

O rito da circuncisão existiu no Egito antes de Moisés?

Oh, sim! Os corpos religiosamente conservados em uma época anterior à de Abraão, e que ainda se encontram, dão a prova disso.

Eu o ignorava. Moisés imitou alguns artigos de fé?

A doutrina da Trindade, no Egito como na Índia. O código mosaico reproduz o caráter minucioso do ritual egípcio sem a sua espiritualidade.

Como se explica que repositórios de saber possuídos pelo Egito nos sejam vedados? Confúcio, Buda, Moisés e Maomé vivem. Por que não vive Manés?

Ele vive pela ação que exerceu sobre outros. A religião do Egito era confirmada em uma classe privilegiada, mas não se propagava suficientemente para ser permanente, sendo apenas guardada por uma seita clerical com a qual morreu. Os seus efeitos, entretanto, acham-se em crenças posteriores.

A idéia da Trindade é hindu ou egípcia?

A trindade dos poderes criador, destrutor e mediador existiu na Índia com Brama, Siva, Vishnu. No Egito com Osíris, Tifon, Horus. A teologia egípcia admitia inúmeras trindades. Na Pérsia, com Ormuzd, Ariman, Mitra, o reconciliador. Países que faziam parte do Egito tinham teologias diferentes.
Pthah, o Pai supremo, Ra, o deus Sol, manifestação do Supremo, Amum, o deus desconhecido, eram manifestações variadas da idéia de Deus.

Não dissestes que Osíris, Ísis e Horus formavam a Trindade egípcia?

Colocamos Ísis apenas como princípio produtor; havia inúmeros desenvolvimentos sobre esse tema da Trindade, que é sem importância, salvo por sua relação com a vasta questão.

O Egito recebeu a sua religião da Índia?
Em parte, mas não conhecemos ninguém que possa falar sobre esse ponto.
Prudens

(A resposta a esta pergunta, apresentada a 28 de fevereiro de 1874, foi dada a 8 de abril seguinte. Muitos outros assuntos foram tratados no intervalo.)

Fostes informado da conexão existente entre a Índia e o Egito. A religião egípcia compunha-se de múltiplos atos exteriores ditados por um ritual; a Índia entregava-se à contemplação e Deus era a essência incognoscível; para os egípcios Ele estava manifestado em cada tipo da existência animal; o tempo nada era para o hindu, a eternidade tudo. Para o egípcio cada instante tinha a sua aplicação consagrada. Entretanto, é verdade que o Egito recebeu da Índia a sua primeira inspiração, do mesmo modo como a Pérsia, por Zoroastro. Já dissemos que a grandeza especial da fé egípcia era a consagração diária da vida à religião. Seria bom que o mesmo cuidado do corpo, a mesma idéia constante do dever religioso, a mesma percepção de uma divindade espalhada por toda parte, pudessem prevalecer entre vós.

Suponho que a teologia egípcia foi uma reação contra o misticismo hindu. Parece que aprovais o ritual, no entanto julgávamos que o sacerdote egípcio perdia muito tempo e que as suas cerimoniosas abluções, assim como o cuidado de distrair-se com uma multidão de formalidades, eram simplesmente estúpidas...

Não. Àquela época, o ritual era necessário. Viver em presença da divindade, ver a sua imagem em tudo e por toda parte, consagrar a cada ato o seu serviço, conservar a sua inteligência, o espírito e o corpo puros, como ela é pura, referir tudo a ela só, era caminhar para a vida divina, apesar dos erros de somenos importância.

Sem dúvida o preconceito nos detém. Mas querereis dizer que a fé de um homem seja indiferente ainda que ele a professe sinceramente? Se o Egito, por exemplo, se reconstituísse, tal como era, não seria o ideal?

Certamente que não. O mundo progride, mas, se ele adquiriu, perdeu aquilo que pertence a todas as formas de fé – a consagração de si mesmo ao dever e a Deus. O Cristo deu-vos o mais elevado exemplo, e o esquecestes. Em tal matéria fostes excedido por aqueles que desprezais.

A fé humana sob o seu aspecto exterior é comparativamente de pouca importância, pois o homem progride ou não, conforme o uso que faz do quinhão recebido. É um acidente ser judeu, cristão, muçulmano, brâmane ou persa. É uma pura questão de consciência na qual não podeis ainda penetrar. 

Só vedes a casca e não podeis atingir o fruto.
Mas o cristão que age de conformidade com os seus conhecimentos, cujos atos justos estão de acordo com os seus conhecimentos e capacidades, não adquire com segurança uma grande ascendência sobre o bárbaro adorador de ídolos, por mais sincero que seja?

Todo proveito perdido em vossa pequena partícula de existência pode ser achado em um outro estado. Os acidentes que vos parecem tão graves podem ser os meios escolhidos para fazer surgir alguma qualidade necessária: tolerância, paciência, confiança ou amor. Julgais com precipitação, não sois capaz de saber a intenção dos guias, nem dar o devido desconto à tentação e aos seus resultados. Não estais ainda no caso de julgar essas coisas. Demais, é um dever imposto a cada um agir de acordo com o que sabe da mais elevada verdade aprendida. O seu progresso será avaliado de conformidade com isso.

Ensinais um julgamento especial? Há vários deles?

Há e não há. Muitos e nenhum, pois é incessante, e a alma prepara-se sempre para evoluir.

Em cada plano o Espírito constrói um caráter por seus atos duráveis, e esse caráter o prepara para a próxima situação na qual se entra necessariamente; a sentença é um resultado imediato, exato como o total de um número. A alma é o árbitro do seu destino, o seu próprio juiz, quer ela progrida ou retrograde.

Cada entrada em uma nova esfera ou estado é marcada por uma mudança análoga à morte?

Análoga no fato de haver uma gradual sublimação do corpo espiritual até que, por ascensões, todos os elementos grosseiros sejam eliminados. À medida que ele se eleva, esse corpo espiritual se apura cada vez mais. Não há invólucro material a abandonar, mas a mudança semelhante à morte, no fato de ser a entrada do Espírito em uma esfera superior um meio de desenvolvimento.

E quando os elementos grosseiros desaparecem, o Espírito entra nas esferas de contemplação, purificado a ponto tal que não tenha mais nada a purificar?

Não; não conhecemos a sua vida no céu interior. Sabemos somente que a sua semelhança com Deus cresce cada vez mais, que ele se aproxima cada vez mais da sua presença. É possível, bom amigo, que o mais nobre destino do 
Espírito aperfeiçoado esteja na sua união com o Deus, à semelhança do qual chegou e cuja parcela de divindade temporariamente desagregada durante a sua peregrinação é restituída Àquele que lha tinha dado. Isso para nós outros, como para vós, é apenas especulativo. Deixemo-los e contentemo-nos somente com aquele que deve ser conhecido. O vosso espírito ficaria despreocupado se pudesse penetrar todos os mistérios. Muito pouco conhecereis na Terra, mas podeis aspirar, e, aspirando, elevareis vossa alma até uma melhor mansão, acima das sórdidas aflições do mundo. Possa a bênção do Uno repousar sobre vós!

† Imperator

Leia na próxima Edição: (amanhã, sexta, 08)
Seção XXIX

Nenhum comentário:

Postar um comentário