06/06/2012 - Quarta-feira
Recebidos por
William Stainton Moses
(A. Oxon)
(No decurso das nossas sessões, tinha-se
falado da Índia, berço das raças e religiões, e como eu houvesse lido também
qualquer coisa sobre esse assunto, apresentei perguntas para saber disso de
forma mais circunstanciada.)
A Índia é,
com efeito, a fonte donde deriva em grande parte a idéia religiosa dominante da
vossa fé. Os mitos que ocultam as simples verdades reveladas são originários da
Índia; as lendas messiânicas datam dos primeiros tempos; os homens imaginaram
sempre que um salvador viria libertar a sua raça. A primitiva história
religiosa da Índia logicamente indica o crescimento espiritual do homem. Esse
estudo vos é essencial e a erudição hindu tem manifesta relação com o lado
científico da linguagem que ensinais. Ocupai-vos dessa questão. Aqueles que
podem ajudar-vos estão conosco.
Há muito
tempo já falamos de informações especiais que desejaríamos dar-vos, mas a vossa
rude ignorância e a atitude singular do vosso espírito nos obrigaram a
reservas. Convém que saibais como Djeminj e Veda Wjasa foram os predecessores
de Sócrates e Platão; conhecereis a origem mítica da história de Krishna, filho
miraculoso da pura virgem Devanagny. O Egito, a Pérsia, a Grécia, Roma, os
grandes reinos do mundo devem a maior parte da sua filosofia e da sua religião
à Índia. Manu, o reformador e iniciador hindu, reaparece: Manés no Egito, Minos
na Grécia ou Moisés para os hebreus. O nome é impessoal, e é denominação
“homem” em sua mais simples forma. Os grandes arautos da Verdade eram chamados
enfaticamente “o Homem” pelos seus povos respectivos. Eram eles aos olhos dos
seus contemporâneos a mais elevada encarnação do poder, da dignidade e da
ciência humanas.
Manu da
Índia era um erudito, um profundo filósofo desde mais de 3.000 anos antes de o
Cristo aparecer, porém não passou de um recente reformador comparado àqueles
cujas palavras são narradas nos antigos documentos da venerável erudição
bramânica, precedentes de milhares de anos à época em que o sábio hindu fez a
exposição filosófica dos mistérios de Deus, da criação e do destino do homem. É
a ele que Zaratustra ou Zoroastro deveu o pouco de verdade que ensinou na
Pérsia.
Todas as
mais sublimes concepções sobre a Divindade vêm de Manu, e a influência da Índia
em matéria legislativa, teológica, filosófica e científica é tão certa, que
está provado ser a linguagem que empregais a mesma que servia a Manu. As
adulterações modernas impedem-vos de tornar a achar-lhe a semelhança, mas os
vossos sábios filósofos a reconhecem.
As idéias
hindus, seguidas por Manés no Egito, e mais tarde por Moisés, manifestam-se
igualmente na instituição das virgens consagradas aos templos egípcios de
Osíris, das pitonisas de Delfos, das sacerdotisas de Ceres, das vestais
romanas, derivação das Devadassi, virgens santas devotadas, nos santuários da
Índia, ao culto puro do Supremo, segundo o modo pelo qual elas o compreendiam.
Isso é
apenas um exemplo insulado. Dirigimos o vosso espírito a esses estudos. Quando
fordes capaz de melhor conhecê-los, preencheremos os claros.
Certamente
sou bastante ignorante. Apresentais o homem como um simples veículo do espírito
mais ou menos perfeito, mais ou menos instruído?
Todo o saber
vos vem de nós. A substância está conosco, convosco somente a sombra. Nesse
planeta, os mais aptos são os que aprendem mais facilmente, e do mesmo modo
isso acontece nas relações conosco. Podemos ensinar sempre que quiserdes
aprender.
Não há então
grande mérito para o homem?
O mérito da
obediência e da humildade que o ajudam a progredir em saber.
Mas suponhamos
que os seus mestres lhes dêem falsos ensinos?
Toda verdade
está mesclada de erro; as fezes serão rejeitadas.
Todos os
espíritos ensinam diferentemente. Quem está, pois, com a verdade? Que é a
verdade?
Ensinamos
independentemente; as particularidades podem variar, mas o amplo contorno fica
sendo o mesmo. Sabereis um dia que o que chamais o mal é apenas o inverso do
bem. Não podeis no vosso estado presente possuir uma verdade absoluta,
porquanto ela tem de ser relativa e o será por longo tempo ainda.
Pensar outra
coisa é pueril. Contentai-vos em rastejar antes de andar; de andar a passo
antes de correr e de correr antes de planar.
Prudens
(Foi nessa
época que se deu um fato singular, já narrado, de identidade espiritual. Um
pobre homem tinha sido esmagado por um cilindro a vapor, que funcionava próximo
a Baker Street. Sem nada saber do acidente, passei poucas horas depois pelo
lugar onde ocorrera o fato. À noite, encontrei o barão du Potet em casa da Sra.
Mack Dougall Gregory e o Espírito da vítima manifestou a sua presença. A 23 de
fevereiro de 1874, apresentei perguntas, e o que esse Espírito tinha dito foi
confirmado.)
Ficamos
surpresos por ter podido ele ligar-se convosco. Isso ocorreu por haver ele
ficado perto do local onde se deu a morte. Não apliqueis muito a vossa atenção
a esse assunto, que poderia causar-vos vexame.
Como é que
ele despertou logo, ao passo que o nosso amigo cujo trespasse se deu
recentemente ainda não despertou?
É que ainda
não teve repouso depois de haver sido arrancado ao corpo; em seu caso, o
repouso é motivo para o progresso, pois é preciso que a pobre alma repouse e
não se conserve fascinada no meio vicioso onde dissipou a vida, do contrário
ficaria muito tempo presa à Terra.
O Espírito
não continua a sentir sofrimentos após uma tão horrível mutilação?
O Espírito
sofre simplesmente a aspereza do choque; o que ele sente o impele antes à
atividade que ao repouso.
O Espírito
permanecia no lugar onde morreu? Como me atingiu ele?
Acontece
muitas vezes que um Espírito bruscamente separado do corpo imobiliza-se no
local, durante muito tempo depois do acidente. Passastes ali e o vosso estado
extra-sensível atraía um Espírito qualquer como o ímã atrai o ferro.
A força de
atração simpática não deveria ser um mistério para vós, que vedes nela os seus
efeitos em vosso planeta onde a atração e a repulsão agem fortemente em vossas
relações cotidianas. A ação é mais intensa quando o corpo sucumbe. O que se
recebia pelos sentidos materiais chega diretamente por essa faculdade intuitiva
de simpatia ou de repulsão.
Afastai essa
preocupação do vosso espírito, a fim de não atrairdes o calamitoso, embora
restrito, domínio de algum Espírito não desenvolvido, pois não podeis servir a
pobre alma.
† Imperator
Leia na
próxima edição:
Seção XXVIII

Nenhum comentário:
Postar um comentário