05/06/2012 - Terça-feira
Recebidos por
William Stainton Moses
(A.
Oxon)
Seção XXVI
(19 de janeiro de 1874. Desde certo tempo, as comunicações
eram muito menos freqüentes, o trabalho parecia transformar-se ou ser suspenso
por causa das minhas dúvidas. Nessa data diversas mudanças ocorreram, novas
direções foram dadas e Imperator fez escrever uma espécie de mapa retrospectivo
onde repetia as observações que citei por mais de uma vez, sobre as minhas
exigências e a fonte divina da sua missão. Recebi provas reiteradas da persistência
da personalidade depois da morte do corpo. Não me interrompo para narrá-las. Em
comunicações escritas reproduziram-se exatamente particularidades de escritas,
de ortografia e de redação, outras foram verbais, por intermédio do meu próprio
guia; ainda outras obtidas por meio de pancadas em meio dos assistentes.
Certas
informações assim obtidas foram corroboradas pela minha vidência. Os meios
empregados para transmitir a informação eram variados, mas os fatos afirmados
eram exatos, invariavelmente e literalmente. Na maior parte dos casos,
referiam-se a pessoas que só conhecemos de nome, ou de quem às vezes
ignorávamos mesmo o nome; ou, antes, eles tinham relação com amigos e
conhecidos.
Essa série de provas contínuas durou muito tempo, e colateralmente
se desenvolveu em mim uma faculdade de clarividência que aumentou rapidamente
de intensidade, sendo-me possível ver e conversar muito tempo com os meus
amigos... até então invisíveis. Tive um grande número de visões em extremo
emocionantes, parecendo-me que o meu espírito agia independentemente do corpo.
Durante algumas dessas visões eu tinha a consciência de viver no meio de cenas
extraterrestres, em outras representavam diante de mim cenas dramáticas,
figurando, sem dúvida, alguma verdade ou ensinamento espiritual. Só em dois
casos pude certificar-me por uma prova colateral da realidade da minha
vidência. Em cada uma dessas ocasiões, eu estava em profundo transe; não podia
discernir entre as impressões subjetivas de um sonho e a realidade do que eu
via com tanta intensidade, salvo nos dois casos aos quais aludo e em que a
realidade da vidência me foi confirmada por incidentes exteriores. Apenas falo
nessas vidências, por marcarem uma fase do desenvolvimento da minha educação
espiritual. Afirmaram-me sempre que o que me era mostrado tinha uma existência
real e que os meus sentidos interiores estavam abertos com o fim de me instruir
e de confirmar a minha fé, permitindo-me contemplar coisas invisíveis aos olhos
do corpo.
No mês de janeiro de 1874, foram publicadas certas
comunicações de 14 de abril e de 12 de setembro de 1873, relativas a um filho
do Dr. Speer, o qual estava sujeito a influências espirituais, que exerciam uma
ação sobre as suas faculdades musicais. Apresentei algumas perguntas a esse
respeito, em 1º de fevereiro de 1874, e obtive diversas particularidades.
Depois de algumas informações pessoais, escreveram:)
Tendes ainda de aprender as condições sob as quais a
música pode ser obtida; ontem à noite elas eram más. Só depois de ter ouvido a
música das esferas conhecereis a verdadeira poesia do som. A música depende,
muito mais do que pensaram os vossos sábios, desses mesmos agentes espirituais
dos quais falamos sem cessar. Os elementos espirituais devem estar em harmonia
para que a inspiração se desenvolva realmente e vos dê o que aí se pode obter
nesse gênero. O local no qual o moço interpretava ontem os pensamentos do
mestre estava cheio de uma atmosfera anti-harmônica. O músico, como o orador,
deve estar em relação harmônica com o auditório, sendo preciso achar-se rodeado
de espíritos que impressionem o seu ser, apurem, acometam, espiritualizem os
seus pensamentos ou os daquele a quem ele supre.
Há uma grande diferença entre uma palavra que cai friamente
dos lábios, ou que é asperamente articulada, e essa mesma palavra pronunciada
com emoção cordial; assim também se dá quanto à música. O corpo do som pode
estar presente, e a alma estar ausente. Sem saber por que, notais quanto o som
isolado é frio, trivial, sutil, e ficais descontente e em desassossego; ao
contrário, quando a voz cheia, rica e melodiosa vos faz ouvir pensamentos
nascidos nas mais belas esferas, vivificados por um ar mais puro, sois feliz.
Os sons são instintivos à alma, impressionam os seres mais inertes, inspiram a
sua comunicação ao espírito e o exaltam, subjugam os sentidos materiais e
harmonizam as discordâncias do espírito. O corpo morto do som é animado pela
alma da música. É raro porém encontrarem-se condições bastante favoráveis para
que a verdadeira música possa desenvolver-se. Isso não se dá nas grandes assembléias
populares. É em um ar mais harmonioso que a voz inarticulada do espírito tem
mais êxito, pelos seus acordes melodiosos, para delinear a sua história.
(A comunicação estava assinada com os autógrafos
(fac-símile exato) de dois compositores bem populares e por outros nomes que eu
conhecia.)

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