Ruth Costas
Da BBC Brasil em Londres
Atualizado em 04 de junho, 2012
Custo Brasil gera preocupação com a estabilidade econômica do país
A desaceleração da economia brasileira estourou o que muitos analistas
acreditam ter sido uma "bolha" de entusiasmo pelo Brasil no exterior.
Esse ritmo mais lento da economia brasileira foi confirmado nesta
sexta-feira com a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) pelo
IBGE. Segundo os números, no primeiro trimestre deste ano, o Brasil cresceu
apenas 0,2% em relação aos três últimos meses de 2011.
Na segunda metade dos anos 2000, quando o Brasil ganhou a preferência de
investidores estrangeiros, os holofotes da mídia internacional e, de quebra, o
direito de sediar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, o termo
"Brasilmania" passou a ser usado para referir-se ao crescente
interesse internacional pelo país.
Agora, não só o fenômeno parece estar perdendo força como já há
especialistas denunciando "exagero" nas análises negativas sobre a
economia brasileira.
Um desses analistas é Jim O'Neill, economista do Goldman Sachs conhecido
por criar o termo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China)."Os mercados
financeiros costumam ir de um extremo a outro quando suas expectativas sobre um
país não são confirmadas", disse O'Neill à BBC Brasil.
"As previsões para o crescimento brasileiro eram muito elevadas,
principalmente depois da alta de 7,5% do PIB em 2010, e ajustes eram
necessários. Mas agora há análises que estão exagerando problemas e riscos para
o Brasil."
Exagero
Richard Lapper, diretor do Brazil Confidential, o serviço de análises
sobre o Brasil do jornal britânico Financial Times, concorda.
"No mercado, o clima é de que a festa brasileira acabou", relata
Lapper. "É como se de repente alguns analistas tivessem descoberto que o
Brasil tem problemas."
Entre os "exageros" segundo Lapper, estariam a análise de
Ruchir Sharma, do Morgan Stanley, que defendeu, na revista Foreign Affairs, que
da mesma forma como o Brasil subiu com os preços das commodities, pode cair com
uma eventual desvalorização dos mesmos provocada pela desaceleração da economia
chinesa.
Nouriel Roubini, economista conhecido por prever o colapso do mercado
imobiliário americano, também voltou de uma viagem pelos Brics, em fevereiro,
recomendando um "choque de realidade" em relação ao Brasil.
Desaceleração brasileira assustaria investidores de curto prazo, segundo
especialistas
Para Neil Shearing, da consultoria Capital Economics, em Londres, um dos
analistas "decepcionados" com o Brasil, o problema é que o
crescimento brasileiro ficou atrás não só dos outros Brics, mas também de
outros latino-americanos, como o México: "Havia uma bolha de entusiasmo
pelo Brasil - e agora ela estourou", diz.
Cobertura negativa
A mudança nas percepções em relação ao Brasil é evidente no tom da
cobertura sobre o país em alguns veículos da imprensa internacional.
Em um artigo recente para a Foreign Policy, por exemplo, o
escritor e jornalista Bill Hinchberger defendeu que o crescimento de 2,7% do
PIB em 2011, fez o Brasil "acordar em uma quarta-feira de cinzas" de
ressaca da euforia do crescimento da década passada. "O carnaval acabou",
anunciou Hichberger.
No fim de 2009, uma capa da revista britânica The Economist trazia
o Cristo Redentor alçando voo nos céus do Rio de Janeiro. "O Brasil
decola", anunciava. No mês passado, a mesma revista ilustrava um artigo
sobre as "fraquezas" da economia brasileira com uma imagem bem menos
grandiosa: um boi debatendo-se para tentar sair de um pântano.
As incertezas em relação ao Brasil são alimentadas tanto por fatores
internos quanto externos.
Além de o país estar crescendo menos que outros emergentes, há
preocupações com as baixas taxas de poupança e investimento, o chamado Custo
Brasil (excesso de burocracia, déficit de infraestrutura, etc) e a relativa
falta de crescimento na produtividade da indústria.
Como escreveu Marcos Troyjo, da Universidade de Columbia, em um artigo
para a BBC Brasil, apesar de a Brasilmania ter feito muitos acreditarem que o
PIB do Brasil "estava destinado a um ascensão irresistível e sem
escalas", o país não aumentou muito sua fatia da economia global na última
década e só consegui tornar-se a sexta economia do mundo por causa do real
valorizado.
"É um país que desperta carinho, mas não respeito."
Simon Anholt, consultor britânico
No plano internacional, o foco das preocupações hoje são as incertezas
sobre a zona do euro e a as perspectivas de um desaquecimento da China –
cenário que levaria a uma redução das exportações brasileiras e desvalorização
das commodities.
Para Lapper esses fatores e a desaceleração brasileira podem assustar
investidores de curto prazo, mas para os de médio e longo prazo as perspectivas
ainda são muito boas. "O mercado consumidor do país é forte e setores como
agronegócio, gás e petróleo continuarão a oferecer ótimas oportunidades de negócio."
Imagem
Ainda não está claro quanto esse ajuste de expectativas sobre a economia
brasileira no mercado e imprensa internacionais pode alterar a imagem do país
com a opinião pública em geral em países estrangeiros.
O consultor britânico Simon Anholt, que faz um ranking com as nações
mais admiradas do globo diz que as mudanças ocorrem lentamente nessa área e nem
sempre acompanham questões ligadas a desempenho econômico.
"O Brasil era em 2011 o único país em desenvolvimento entre os 20
mais admirados", explica. "Mas curiosamente a sua imagem mudou pouco
mesmo nos anos de bonança, estando fundamentalmente ligada a chavões como
futebol e carnaval. É um país que desperta carinho, mas não respeito."
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