sexta-feira, 8 de junho de 2012

COLUNA DO PAULO TIMM(Torres-RS) - Iela lança Coleção Pátria Grande – a Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano


08/06/2012 - Sexta-feira



Juntamente com André Gunder Frank, Vânia Bambirra e Theotonio dos Santos, os estudos de Ruy Mauro Marini representavam uma sólida alternativa teórica e política inaceitável para as classes dominantes,razão pela qual recebeu férrea oposição não somente durante a ditadura, mas, curiosamente, também no período democrático. Em poucas palavras: a marginalidade teórica de Marini foi uma conseqüência necessária da derrota da esquerda com o golpe militar de abril de 1964 e da hegemonia liberal-burguesa que orientou a democratização do país a partir de 1985. Enfim, livre dos radicais, a burguesia brasileira e o imperialismo puderam então exaltar o “pluralismo” nas ciências sociais e abrir caminho para a longa marcha em direção a universidade acadêmica que finalmente se impôs. De resto, com o exílio dos melhores representantes do programa de pesquisa sobre o subdesenvolvimento e a dependência, as classes dominantes criaram as condições para o controle do pensamento que também se revelaria necessário no contexto de uma transição lenta, gradual e segura em direção ao regime democrático.

A obra de Marini era inaceitável porque foi decisiva para elucidar tanto os limites do reformismo no interior do marxismo quanto às ilusões burguesas da tradição cepalina que tiveram na obra de Celso Furtado o maior representante em nosso país. O conhecido ensaio,
Dialética da Dependência, foi o marco inicial de um programa de pesquisa que não somente segue sendo válido como também tem sido retomado na atualidade em muitas dissertações e teses em todo o Brasil. O conceito de sub-imperialismo é outra contribuição notável que com o passar do tempo ganhou vitalidade e volta a ser discutido quando a integração latino-americana renovou sua força política no continente a partir da erupção do nacionalismo revolucionário na Venezuela, Equador e Bolívia. A tendência à constituição de uma economia exportadora é outra contribuição de grande valor nas formulações de Marini na interpretação do desenvolvimento capitalista no Brasil, pois é clara sua força a partir de 1994, expressando um fenômeno que merecerá de todo analista rigoroso, especial atenção.

Continua na próxima Edição: (sábado, 09)

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