quinta-feira, 7 de junho de 2012

COLUNA DO PAULO TIMM(Torres-RS) - IELA lança Coleção Pátria Grande – a Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano


07/06/2012 - Quinta-feira





“Subdesenvolvimento e revolução”, de Ruy Mauro Marini




(Continuação da última edição....) 


Não restam dúvidas da estatura intelectual de Ruy Mauro Marini e sobre a importância de sua obra, mesmo que ele tenha passado grande parte de sua vida no exílio, iniciado em 1964 e concluído somente vinte anos depois. Conhecido na Europa, nos Estados Unidos e portador de imenso prestígio nos países latino-americanos de fala hispânica, Ruy Mauro
permaneceu durante duas décadas como um autor desconhecido para as novas gerações que frequentaram a universidade durante a ditadura(1964-1985). Com o início do regime democrático muitos esperavam que o país pudesse começar não somente um regime de plena liberdade que se revelava necessário, mas, sobretudo, uma renovação intelectual que
finalmente não ocorreu. A razão principal do bloqueio à renovação intelectual foi a hegemonia liberal dominante durante o período da “transição democrática” controlada pelas classes dominantes locais e monitoradas com particular atenção por Washington. Neste contexto, a vida universitária e intelectual do país seguiu seu curso normal, ou seja, com raras exceções – na verdade raríssimas – a maior parte dos intelectuais festejados no campus e na mídia eram – agora ninguém mais pode negar – os intelectuais da ordem (tanto à esquerda quanto à direita do espectro político!). O radicalismo político – tão necessário nos países subdesenvolvidos e dependentes – foi derrotado pela ditadura e, no mesmo movimento, o controle da rebeldia intelectual impediu que a divulgação desta extraordinária tradição teórica da qual Marini era protagonista de primeira linha tivesse a merecida divulgação entre as novas gerações e no interior das organizações das classes subalternas. Enfim, o programa de pesquisa sobre o subdesenvolvimento e a dependência jamais foi levado efetivamente a sério no Brasil e, quando estudado – impossível ignorar
– a hegemonia liberal-burguesa representada por Fernando Henrique Cardoso e Celso Furtado, para dar os exemplos mais evidentes, foi completa.

Juntamente com André Gunder Frank, Vânia Bambirra e Theotonio dos
Santos,

Continua na próxima Edição: 

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